Enfrentando o coronavírus

PAI DA VACINA BRASILEIRA, DIMAS COVAS ENQUADRA TROPA DA CLOROQUINA NA CPI

De um lado, estava o professor Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, o médico e cientista que comandou o desenvolvimento da vacina CoronaVac, a primeira a ser aplicada no Brasil e, até hoje, a que mais imunizou a população.

De outro, um grupo de senadores leigos em medicina e em qualquer outra ciência, conhecido como ” tropa de choque”, um bando de ignorantes fundamentais dedicados unicamente a defender o governo federal e a cloroquina receitada pelo doutor Bolsonaro.

Ouvir um cientista respeitado como Dimas Covas, mostrando didaticamente na CPI como o governo federal boicotou a compra de vacinas do Butantan, renova as nossas esperanças de viver num país civilizado.

É como se o paciente professor e os senadores governistas pertencessem a dois países diferentes _ um que estuda e defende a vida, outro que ignora a ciência e corteja a morte.

Poupo-me de citar o nome desses senadores, que não têm vida própria, todos eles iguais em seus discursos negacionistas, um retrato da degradação da política brasileira.

Depois de passar um mês ouvindo as mentiras e sandices de ministros, ex-ministros e funcionários do governo, todos eles responsáveis ou cúmplices pelas mais de 460 mil mortes na pandemia, hoje foi um divisor de águas na CPI do Senado.

Sem se fazer acompanhar de um advogado de defesa, porque de nada era acusado, falando pausadamente e mostrando documentos para provar o que dizia, sem levantar o tom de voz, Dimas Covas ouviu as maiores bobagens em silêncio e enquadrou a tropa da cloroquina na sua mediocridade sabuja.
Desta vez, nem o filho Flávio Bolsonaro, com o braço na tipoia, apareceu para defender o indefensável.

*Se não fossem o Instituto Butantan e o governo de São Paulo, que marcaram data para iniciar a imunização, e assim obrigaram o governo federal a se mexer para comprar vacinas, quando elas já estavam em falta, o número de mortos pela pandemia seria muito maior.

Se o presidente Bolsonaro não tivesse proibido a compra de vacinas do Butantan em outubro do ano passado, desautorizando o general Pazuello, e boicotado as várias propostas da Pfizer, o Brasil poderia dispor de milhões de doses já em dezembro de 2020.

O resultado dessa irresponsabilidade federal é a maior crise sanitária da nossa história, que ainda está longe de acabar.

Aos que não conseguiram sobreviver e aos mais de 16 milhões de contaminados, somam-se nesta tragédia 14,7 milhões de desempregados e metade da população ameaçada pela fome.

O “efeito Bolsonaro” é devastador, por suas palavras e obras, mas ele ainda não está satisfeito.

Agora mesmo, entrou com uma ação no STF contra as medidas de restrição adotadas por governadores e prefeitos para evitar a disseminação do vírus. Só ficará faltando baixar um decreto para proibir o uso de máscaras.

Enquanto isso, Dimas Covas e sua brava equipe do Butantã trabalham dia e noite para desenvolver a ButanVac, a primeira vacina a ser fabricada totalmente no país, com insumos próprios, que não recebeu nenhum centavo de investimento do governo federal.

Tudo foi feito, das instalações da nova fábrica à compra de equipamentos, com doações da iniciativa privada.

Ao final deste encontro entre o progresso futuro e o atraso, que durou quase sete horas, fiquei pensando como seria o enfrentamento da pandemia no Brasil se, em vez de um general Pazuello, o obediente, nosso ministro da Saúde fosse alguém como Dimas Covas, mas logo me dou conta de que isso seria impossível.

Ninguém com a história e o currículo dele se submeteria a trabalhar sob as ordens de alguém como Bolsonaro,

Vai levar algumas décadas para reconstruir o Brasil devastado por um governo sádico, que odeia o saber, a ciência, a cultura, a vida.

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