“Petrobras submetida à lógica do mercado é a responsável pelo aumento abusivo dos combustíveis”, diz Erika Kokay

A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) ocupou a tribuna da Câmara nesta quinta-feira (24/5) para criticar a política de preços estabelecida por Michel Temer e Pedro Parente, presidente da Petrobras. Desde a implementação da nova política de preços, submetida aos humores do mercado internacional do petróleo, mais de 121 reajustes foram feitos. Os preços da gasolina e do diesel sofreram aumentos de mais de 50%.

Segundo a parlamentar, o Brasil não tem projeto de desenvolvimento nacional. “O que nós estamos vivenciando no País neste momento é o derretimento desta Nação. Estamos completamente amordaçados e aprisionados por uma lógica rentista, a lógica do dito mercado, esse mercado que adquire sentimentos”, criticou.

Segundo Kokay, é a sacralização do mercado pelo governo de Temer que levou o País ao aumento abusivo de combustíveis, cujo resultado foi a deflagração de uma greve de caminhoneiros que já dura quatro dias e ameaça diversos estados com desabastecimentos.

“Essa crise que nós estamos vivenciando na PETROBRAS é obra do Sr. Parente. É preciso lembrar quem é Pedro Parente. Pedro Parente era o Ministro das Minas e Energia quando o Brasil vivenciou um apagão com o processo de privatização de parte do setor elétrico pelo Governo Fernando Henrique Cardoso. Foi o maior apagão, o maior estresse de energia que algum país no mundo vivenciou em períodos de paz”, lembrou Kokay.

De acordo com a parlamentar, Pedro Parente assumiu a Petrobras e colocou a empresa sob a lógica do mercado, cujo maior exemplo é a presença de integrantes de empresas concorrentes da estatal em seu Conselho de Administração.

“Estão no Conselho de Administração da estatal, indicados por Temer, diversos representantes da Shell. Seguramente, não estão lá defendendo os interesses do povo brasileiro nem da própria PETROBRAS”, atacou Kokay.

A deputada repercutiu, ainda, denúncia feita pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) de que a Petrobras não estaria investindo na completa capacidade das refinarias para importar combustíveis mais caros do exterior, principalmente, dos EUA.

“As refinarias estão trabalhando abaixo da sua capacidade, porque estão importando combustíveis. Eram 50 importadoras que atuavam no Brasil, segundo a FUP; hoje são 200. São 200! A lógica da PETROBRAS não é se considerar uma empresa brasileira, do povo brasileiro, e cumprir uma função de instrumento estratégico de um programa de desenvolvimento nacional”, disse Kokay.

“Além do mais, é preciso lembrar que o Governo Temer também aumentou em 100% impostos PIS/COFINS no combustível. Essa é a realidade do que nós estamos vivenciando”, completou a deputada, ao lembrar avisos da FUP de que o povo brasileiro pagaria a conta pela subserviência da Petrobras às grandes petrolíferas estrangeiras.

“A crise beija o nosso rosto! O País pode ficar sem combustível porque é a lógica de mercado. Ou não foi este Governo que vendeu os lotes do pré-sal para a Shell sem ágio? Ou não foi este Governo que vendeu lotes do pré-sal para as grandes petrolíferas isentando-as, nos próximos 20 anos, do pagamento de R$ 1 trilhão em impostos?”, questionou.

Segundo Kokay, o reflexo desse processo é a crise de abastecimento que se agrava em todo o País e também na capital da República. “Aqui em Brasília, a batata aumentou 300%. Aqui em Brasília háuma grande rede de supermercados que tem dito que as pessoas só podem levar no máximo cinco itens de um mesmo produto, ou cinco unidades de um mesmo item”, afirmou.

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