Dragão chinês

Por Júlio Miragaya

 

Ao lançar a “Guerra Comercial” contra a China, os EUA demonstram sua condição de império em decadência, que vive a corrosão das hegemonias econômica, financeira e político-ideológica. Só falta a militar, mas esta perda é questão de tempo. Sabemos que na década de 1980, Reagan acelerou a corrida armamentista contra a URSS e, com o programa “Guerra nas Estrelas”, duplicou os gastos militares americanos, forçando a URSS a fazer o mesmo. Como seu PIB era metade do norte-americano, sua economia não suportou e colapsou.

Ocorre que a população chinesa é o quádruplo da norte-americana, seu PIB já é superior e será o dobro em 2035. Isso significa que será a China que deverá puxar a próxima corrida armamentista. Ademais, a China possui um modelo de desenvolvimento robusto, e a base de sua solidez é a existência de um Estado forte que comanda o processo econômico, não se subordinando à lógica das finanças e das corporações transnacionais.

Em entrevista à FSP, Steve Bannon, ex-assessor de Trump e líder do agrupamento de extrema direita “The Movement”, afirmou que “Bolsonaro deve fazer algo a respeito do capitalismo predatório da China e deve aprofundar o relacionamento com os EUA”. De fato, uma das promessas do presidente eleito é reduzir as relações Sul-Sul (com a América Latina, a África e os países do BRICS) e estabelecer relações prioritárias (e subordinadas) com os EUA. As críticas que o presidente–fake news tem feito à China, as ameaças à Venezuela, a Cuba e aos palestinos inserem-se nesse roteiro de total submissão à política externa de Trump. Trata-se, obviamente, de uma aposta furada.

Em tempo: Domingo faz um ano da Reforma Trabalhista e, segundo a PNAD/IBGE, o saldo de emprego com carteira foi de menos 328 mil, mas cresceu em 1,4 milhão o emprego sem carteira, doméstico e conta própria. E Moro no Ministério da Justiça em 2019 e nomeação no STF em 2020, seria retribuição aos serviços prestados pela retirada de Lula do páreo e atuação como cabo eleitoral do capitão?

 

Júlio Miragaya, é vice-presidente da Associação dos Economistas da América Latina e do Caribe (AEALC)

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