Tese Bloco Popular e de Base

O PT NA CONJUNTURA MUNDIAL

O Partido dos Trabalhadores, neste momento pós golpe, incorporando críticas e autocríticas, deve estar atento para a situação mundial após a “zebra” que representou a eleição de Donald Trump presidente dos EUA e seus desdobramentos, especialmente para a América Latina.

A administração Barak Obama/Hilary Clinton jogou pesado para desestabilizar os governos democrático-populares na América do Sul, utilizando-se de todos os meios para propicar o golpe de estado “suave” que derrubou a companheira Dilma.

A principio, a gestão Donald Trump voltar-se-á principalmente para as questões internas nos EUA, cujo sistema economico também sofreu fortes abalos do neoliberalismo, do rentismo e do belicismo estadunidense pelo mundo. De qualquer forma, o “instinto imperialista” está longe de morrer nos EUA e seus parceiros da União Européia e OTAN. A América Latina continua sendo vista pelo stablishment estadunidense como “seu quintal”. Assim que Equador e Venezuela estão hoje na alça de mira do voraz imperialismo estadunidense e, como sempre, Cuba, uma República Socialista a 90 milhas da costa dos EUA.

O Equador está forçado a fazer um segundo turno nas eleições presidenciais por questão de centésimos percentuais, onde toda a direita tentará derrotar o projeto construido por Rafael Correa e o partido Aliança País, que insertou o Equador na integração bolivariana e, a despeito da herança maldita do dólar (moeda corrente no país), conseguiu derrotar o rentismo que parasitava o país por meio de uma dívida pública impagavel.

Na Venezuela, o governo revolucionario de Nicolas Maduro e do partido irmão, PSUV e demais forças que compõem o Pólo Patriótico, construíram um barreira até agora inexpugnável contra as intenções contra-revolucionarias apoiadas pelo imperialismo.

O apoio popular à Revolução e o exemplo de Hugo Chavez – a quem rendemos homenagem no quarto ano do seu desaparecimento físico – são um uma força gigante contra os intentos de restauração do neoliberalismo na Venezuela.

O PT deve reiterar sempre seu apoio aos povos e governos que lutam contra o neoliberalismo e suas diversas facetas imperialistas no mundo de hoje. Todo apoio à Cuba, ao Equador e à República Bolivariana da Venezuela.

O PT NA CONJUNTURA NACIONAL

O Partido dos Trabalhadores deve ter como prioridade, nesta conjuntura pós-golpe:

– Reiterar o caráter ilegítimo do governo golpista de Michel Temer

– Fazer um rigoroso balanço crítico e autocrítico sobre o papel do próprio partido, bem como dos movimentos sociais, no processo que desembocou no golpe estado e retirada da companheira Dilma da Presidência da República

– Retomar a relação com os sindicatos e movimentos populares de maneira a construir uma sólida frente de trabalhadores do campo e da cidade, bem como de todos os setores democráticos da sociedade civil, para garantir a vontade popular solapada pelos golpistas, com a imediata convocação de novas eleições presidenciais.

– Dar prioridade à construção e fortalecimento da Frente Brasil Popular

É inegável que o enfraquecimento político do governo Dilma tem muito a ver com o fosso que se abriu na relação entre o PT e os movimentos populares. O Partido criado para ser um instrumento de organização e de luta da classe trabalhadora foi perdendo seus liames com os movimentos e, simultaneamente, ganhando dramáticos contornos de partido de mandatos parlamentares e da burocracia encastelada no aparato burocrático.

O momento é romper com esse status e retomar as praticas da democracia-operária dentro do Partido dos Trabalhadores. Só assim retomaremos o protagonismo dentro da luta de classes do país e estaremos à cabeça do processo de derrubada do governo golpista e de restauração do respeito às regras democráticas e do voto popular.

Nesse particular, a luta contra a reforma da previdencia e reforma trabalhista (medidas que estão no centro da agenda dos golpistas e de seus asseclas que controlam o sistema financeiro e o agronegocios no país) devem ser prioridade para o PT, fortalecendo a unidade popular e impulsionando as ações da Frente Brasil Popular, onde estão, além dos partidos, os principais instrumentos de intervenção da classe trabalhadora do país: MST, CUT, CMP , entre outros.

Distrito Federal

O DF foi o laboratório do golpe de estado de novo tipo desfechado contra a companheira Dilma em agosto do ano passado. O processo de desestabilização, calúnias na imprensa, fustigamento do poder judiciário e do ministerio público contra o governo Agnelo já era o prenuncio do que viria pela frente na conjuntura nacional.

O esgarçamento da base partidaria, bases eleitoral e base social, foi o principal responsável pelo isolamento  político do governo Agnelo, a partir da metade do seu mandato.

No DF, o Partido dos Trabalhadores também deve priorizar a retomada da unidade da base partidária, o protagonismo da nossa base social, de trabalhadores organizados em sindicatos e nos instrumentos de organização dos diferentes movimentos populares.

Brasília não tem uma burguesia enraizada historicamente para fazer aliança. Aqui existe uma mafia que se consolidou a partir de grilagem de terras públicas, e que até hoje opera para mandar na cidade, qualquer que seja o ocupante do Palácio do Buriti. Essa máfia oscila hoje em apoiar Rollemberg ou romper e lançar um nome do PMDB, PSDB, PSD ou qualquer outro desses partidos fisiológicos que entopem a Camara Legislativa de empresários parasitas e de fundamentalistas religiosos.

O PT-DF deve reafirmar, neste VI Congresso, seu papel de OPOSIÇÃO ao Governo Rollemberg e seu status de usurpador e de golpista, pois foi eleito em cima do discurso falso-moralista contra o Partido dos Trablalhadores, depois de ter sido eleito para o Senado (em 2010), com o nosso apoio.

As políticas públicas do atual governo são um atentado contra os direitos da classe trabalhadora, que luta por políticas públicas em favor da maioria da sociedade. O exorbitante aumento da passagem do transporte público, o sucateamento do SUS no DF, o desrespeito a acordos salariais com os sindicatos, a violência policial contra os movimentos, a politica de residuos solidos sem a participação dos catadores, a visão neoliberal de finanças públicas, enfim um conjunto de desmandos que só não criaram um clima infernal para esse governador porque ele conta, até o momento, com poderos aliados dentro do Poder Judiciário e Ministerio Público, como tambem no imprensa (o partido da imprensa golpista- PIG). Enquanto Agnelo foi demonizado por esses dois estamentos da elite (judiciario/MP e Imprensa), Rollemberg é tratado como se não tivesse nada a ver com a situação de descalabro no comando do Palácio do Buriti.

Diante disso, devemos nos preparar para o próximo período fortalecendo o papel da Frente Brasil Popular  na oposição ao governo Rollemberg, apoiando as greves já marcadas pelos professores e outras categorias vitimas do calote do governo do DF. Além disso, lançar nossa pre-candidatura ao Palácio do Buriti. O PT tem que ter candidatura própria ao Buriti!! Um nome sintonizados com as aspirações do movimento sindical e dos movimentos populares do DF.

Por fim, um rigorosa correção de rumos deve ser efetivada na relação entre a direção do PT-DF e a bancada parlamentar na CLDF. O episódio da eleição da presidência da Câmara, quando a bancada do partido atropelou o Diretorio Regional e fez acordo de apoio ao candidato de Rollemberg, foi um demostração de soberba e desprezo em relação ao partido que os colocou lá dentro da Camara com um mandato parlamentar. O momento é oportuno para fazer uma rigorosa critica dessa situação e de correção de rumos. OS MANDATOS NÃO SÃO MAIORES DO QUE O PARTIDO DOS TRABALHADORES. Isso está no beabá da fundação do PT e da construção partidária. Nossa bancada parlamentar deve refletir sobre isso e repensar sua contribuição à construção partidária, que aliás tem sido pífia. Infelizmente os deputados “se acham” acima do coletivo partidário. Isso é péssimo e tem que ser corrigido pela pressão da base partidária, comissoes de ética, plenarias de avaliação etc. Além disso, temos que oxigenar as instâncias partidárias, fortalecendos os setoriais, estimulando a formação de nucleos de base e formando coletivos nas secretarias, seja em nivel zonal, seja em nivel regional.

VIVA O PARTIDO DOS TRABALHADORES!!

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