TJDFT julgará dia 28/4 se houve improbidade da gestão Agnelo na concessão de reajuste aos servidores

Julgamento de primeira instância absolveu a gestão, após conclusão de prova pericial,
apontando a lisura dos atos praticados. MPDFT recorreu


Já o governador Ibaneis Rocha lava as mãos quanto ao pagamento da última parcela dos reajustes, atrasada desde 2015. Sua política é de sucateamento do serviço público A gestão petista do governador Agnelo Queiroz (2011/2014) promoveu uma grande reestruturação em 32 carreiras do serviço público, dentro de uma política de reconstrução do
papel do Estado.

Houve longas negociações em torno do perfil de cada carreira e diversas ações foram implantadas, com a realização de 44 concursos públicos e adequação salarial dos servidores, o que resultou em reajustes de até 67,6% (média de 35,4%), divididos em três parcelas. As duas primeiras parcelas foram pagas nos anos de 2013 e 2014. A última, que seria em 2015, ficou na gaveta dos sucessores: Rodrigo Rollemberg e Ibaneis Rocha.

O Ministério Público do DF questiona a conduta dos gestores quanto à legalidade dos reajustes, apesar da comprovação de que todo o rito administrativo fora cumprido. A legalidade e a probidade dos atos praticados já foram confirmadas pela 6ª Vara da Fazenda Pública. Inconformado, o MPDFT recorreu ao Tribunal de Justiça, cujo julgamento será no dia 28/4 (quarta-feira), às 13 h. Entenda o que pode acontecer com os servidores, dependendo da
decisão do tribunal.

Lisura dos atos administrativos
O então secretário de Administração do governo Agnelo, Wilmar Lacerda, atual vice-presidente do PT-DF, conta que as negociações com cada categoria foram demoradas e cumpriram todos os ritos administrativos e legais. Houve autorização específica na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), foram observados os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, 32 projetos de lei foram encaminhados à Câmara Legislativa, onde foram discutidos e
aprovados, e havia disponibilidade financeira demonstrada para a concessão dos reajustes. “Fizemos tudo certinho e cada passo está comprovado no processo, reconhecido pela Vara da Fazenda Pública”, defende Wilmar.

Perícia técnica confirma correção
Em sua apelação, o MPDFT pede que o Tribunal de Justiça do DF reforme a sentença da 6ª Vara da Fazenda para condenar o ex-governador por improbidade administrativa. A condenação seria extensiva ao ex-secretário Wilmar Lacerda e a mais dois técnicos que fundamentaram os reajustes. Com isso, teriam seus direitos políticos cassados por oito anos, uma multa milionária a ser paga e a perda dos cargos no serviço público.

No entanto, quando a matéria foi julgada em 1ª Instância, a juíza Sandra Cristina Candeira de Lima, da 6ª Vara da Fazenda Pública, rejeitou os argumentos do MPDFT. Sua sentença se baseou nas conclusões da Perícia Técnica, designada por ela, e que confirmou a legalidade dos atos da gestão petista.

Sem lei, não tem reajuste
Com base nas provas apresentadas e, especialmente, nas conclusões da Perícia Técnica, o ex-governador Agnelo Queiroz espera que o Tribunal de Justiça confirme a decisão de primeira instância, rejeitando os argumentos do MP. Se isso ocorrer, fortalece todo o movimento pelo pagamento da terceira parcela, em atraso desde 2015. No entanto, se o Tribunal entender o contrário, pode abrir a possibilidade de novas ações, visando à anulação dos reajustes. Esse
poderá ser o passo seguinte do MPDFT ou do próprio GDF.

Concursos públicos
Durante o processo de reestruturação das carreiras, a gestão Agnelo realizou 44 concursos públicos e deu posse a 35.831 servidores públicos: Saúde (15.807); Educação (8.456); Segurança Pública (4.217); Mobilidade urbana (1.500) e demais áreas (5.851). Postura bem diferente do atual governador Ibaneis Rocha que mantém os salários congelados, paralisou os concursos públicos e segue com sua política de sucateamento do serviço público.

Assista ao julgamento
O julgamento é público e será transmitido pela internet. É importante que os servidores acompanhem, especialmente, as lideranças sindicais. No dia 28/4, às 13 h, acesse o canal oficial do Tribunal no link:  https://www.youtube.com/user/TJDFTnoticias/featured
e procure a sessão da 3ª Vara Cível.

PTDF

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